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Cheiro nauseabundo toma conta da cidade

Dizem que o Brasil é responsável por algumas das principais inovações em tecnologia de saneamento nos países em desenvolvimento. Na península ensolarada, apesar disso, essa tecnologia ainda não solucionou muito dos nossos problemas: como o mau cheiro e as línguas negras nas praias. A despeito do investimento da Prolagos, um odor repugnante emana em quase todos os bairros.

A cidade, contudo, não é uma exceção. Quatro em cada dez pessoas no mundo não têm acesso nem a uma latrina. Isso sem falar que aproximadamente duas em cada dez pessoas – que corresponde a mais de um bilhão de pessoas – não têm fonte de água potável. Como conseqüência, aproximadamente quatro mil crianças morrem diariamente.

O saneamento é um dever assumido pela Prolagos desde o dia 13 de julho de 1998. Passaram-se nove anos, muitas coisas foram concretizadas, mas decididamente o problema não foi solucionado. O esgoto que deveria estar sendo coletado e tratado pela Prolagos, permanece a escorrer em praias como Manguinhos e Geribá.

A assessora de comunicação da Prolagos, Adriana Pereira, atribui o mau cheiro às ligações clandestinas:

-          Se as pessoas estivessem todas interligadas na rede de esgoto isso não aconteceria. Se você dispõe de um sistema na porta da sua casa e você não se interliga a ele, isso é um crime ambiental – denunciou a assessora de comunicação.

De acordo com pesquisa do IBGE, quase metade do Brasil não tem coleta de esgoto: 47,8% dos municípios não coletam nem tratam os esgotos. Entre os 52,2% dos municípios que têm o serviço de coleta, 20,2% coletam e tratam o esgoto e 32% só coletam. De acordo com a Agência Nacional de Águas no Plano Nacional de Recursos Hídricos, o lançamento de esgotos domésticos nos corpos hídricos é o principal problema de qualidade das águas. O Plano revela um dado interessante que se insere com perfeição na realidade buziana: a maior fonte de poluição das águas por esgotos não está relacionada à parcela da população sem rede coletora, mas sim àquela com rede, incluindo os que têm tratamento, em decorrência da baixa eficiência e precária operação muitas vezes encontrada.