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. Cheiro nauseabundo toma conta da cidade

Dizem que o Brasil é responsável por algumas das principais inovações em tecnologia de saneamento nos países em desenvolvimento. Na península ensolarada, apesar disso, essa tecnologia ainda não solucionou muito dos nossos problemas: como o mau cheiro e as línguas negras nas praias. A despeito do investimento da Prolagos, um odor repugnante emana em quase todos os bairros.

A cidade, contudo, não é uma exceção. Quatro em cada dez pessoas no mundo não têm acesso nem a uma latrina. Isso sem falar que aproximadamente duas em cada dez pessoas – que corresponde a mais de um bilhão de pessoas – não têm fonte de água potável. Como conseqüência, aproximadamente quatro mil crianças morrem diariamente.

O saneamento é um dever assumido pela Prolagos desde o dia 13 de julho de 1998. Passaram-se nove anos, muitas coisas foram concretizadas, mas decididamente o problema não foi solucionado. O esgoto que deveria estar sendo coletado e tratado pela Prolagos, permanece a escorrer em praias como Manguinhos e Geribá.

A assessora de comunicação da Prolagos, Adriana Pereira, atribui o mau cheiro às ligações clandestinas:

-          Se as pessoas estivessem todas interligadas na rede de esgoto isso não aconteceria. Se você dispõe de um sistema na porta da sua casa e você não se interliga a ele, isso é um crime ambiental – denunciou a assessora de comunicação.

De acordo com pesquisa do IBGE, quase metade do Brasil não tem coleta de esgoto: 47,8% dos municípios não coletam nem tratam os esgotos. Entre os 52,2% dos municípios que têm o serviço de coleta, 20,2% coletam e tratam o esgoto e 32% só coletam. De acordo com a Agência Nacional de Águas no Plano Nacional de Recursos Hídricos, o lançamento de esgotos domésticos nos corpos hídricos é o principal problema de qualidade das águas. O Plano revela um dado interessante que se insere com perfeição na realidade buziana: a maior fonte de poluição das águas por esgotos não está relacionada à parcela da população sem rede coletora, mas sim àquela com rede, incluindo os que têm tratamento, em decorrência da baixa eficiência e precária operação muitas vezes encontrada. 

. Discípulo de Burle Marx alerta para a destruição de cactos centenários 

Armação dos Búzios é conhecida pela exuberância da sua natureza, mesmo depois de décadas de destruição. O que pouca gente sabe é que existem cactos no município com mais de trezentos anos de idade. Espécies que resistem aos parcos 800 milímetros anuais de chuva, a mesma dos sertões, ao vento que sopra inclemente durante 80% do ano, e ao solo pobre e sem nutrientes. É neste ambiente inóspito que plantas guerreiras ainda hoje vivenciam a história desta terra e do seu ecossistema atípico, uma diversidade tão individualizada que até hoje os especialistas não chegaram a um consenso para classificar o ecossistema. E enquanto não surge uma nova denominação, o IBGE chama a vegetação de estepe arbórea aberta, também conhecida como caatinga fluminense, um fragmento da vegetação do semi-árido nordestino. Mas estas plantas que resistem ao desgaste provocado pela passagem do tempo estão ameaçadas de desaparecerem num breve período de tempo. O alerta é do paisagista Ricardo Correia de Araújo, que há trinta anos estuda esta vegetação simbólica, com enorme quantidade de espécies endêmicas, que só existem nesta região do planeta.  

-          O mais importante hoje é preservar os cactos que ainda resistem e não se tirar mais nada. Essas espécies nativas resistem ao vento forte, a condição de sal, nascem na beira das pedras e do mar, mas demoram muito tempo para crescer e estão sujeitas à ação humana – alertou Ricardo. 

Autor de vários jardins buzianos, o paisagista conviveu por vinte anos com o maior compositor de paisagens decorativas de jardins de todos os tempos, Burle Marx. O paisagista acredita que da mesma forma como vem acontecendo com os tubarões no mar, que assustam mesmo quando não atacam, os cactos ainda assombram as pessoas, que não têm qualquer constrangimento em eliminá-los:  

-          A gente vê cada vez menos cactos. Acredito que seja por causa dos espinhos. Quando as pessoas vão construir, ficam com raiva quando se machucam e nem pensam duas vezes, cortam tudo.  

O paisagista alerta que entre diversas preciosidades, a vegetação de Búzios abriga mais de vinte espécies de orquídeas endêmicas, que correm risco de desaparecer definitivamente do planeta. Não por acaso a União Internacional para Conservação da Natureza reconheceu a região como Centro de Diversidade Vegetal, título dado a raros pontos do mundo que resguardam espécies raras e ameaçadas. 

. Educação implanta filosofia e espanhol na rede municipal 

Concebendo a educação não apenas como direito fundamental, como também estratégia de superação do atraso e do subdesenvolvimento, e acreditando que o município deve estar apto a compreender e atender as necessidades básicas indispensáveis à conquista da cidadania, a secretaria de Educação de Búzios, Norma Cristina, resolveu incluir em 2007 as disciplinas de espanhol e filosofia nas 7a e 8a séries.  

- Foi uma tentativa de resgatar os valores. Porque nossos filhos hoje ficam em frente ao computador e ninguém quer saber mais de raciocinar, de pensar – ponderou Norma, revelando ainda que é neste sentido que a educação de Búzios pretende retratar e trabalhar a sua cultura com fidelidade e, assim, credenciar-se a vôos mais distantes e, seguramente, mais dinâmicos.

. Concurso vai escolher projeto para a Casa de Cultura

Um concurso de idéias vai escolher o projeto arquitetônico da Casa de Cultura de Búzios. A informação é do secretário de Cultura Luiz Romano. Será o primeiro concurso público de arquitetura realizado no município.

-        A secretaria de Planejamento está me assessorando na elaboração do edital. Nós vamos fazer um concurso com os arquitetos. É um marco, na verdade, a construção da Casa de Cultura de uma cidade como Búzios – revelou Romano.

A intenção é restringir o concurso aos arquitetos que trabalham no município:

-        Será para os arquitetos de Búzios, e eles vão precisar comprovar que são arquitetos de Búzios, que moram aqui. Vamos dar prioridade para eles, com certeza, porque são pessoas que são comprometidas com a cidade, que entendem a cidade. Não queremos construir um elefante branco, queremos construir uma casa de cultura – reflexionou Romano.

. Brasil negocia projeto de ecoturismo com governo francês

Os Ministérios do Meio Ambiente e do Turismo estão negociando com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) a participação do governo brasileiro no Projeto Viagens Sustentáveis. Trata-se de uma iniciativa do governo francês e busca estabelecer padrões de consumo sustentável na atividade turística em diversas regiões do mundo. A meta é dinamizar o turismo no Brasil, priorizando Unidades de Conservação e entorno. O programa busca ainda orientar o planejamento turístico, minimizando os impactos sobre o ambiente.

. Secretária de Educação critica a politicagem

Nos últimos anos em que vem se dedicando à tarefa de conduzir a educação de Búzios, a professora de português Norma Cristina, 42 anos, procurou não se contaminar com as críticas da oposição – "É lógico estamos dentro de um panorama político numa cidade pequena, onde tudo cheira a política. Temos que aprender a conviver com isso. Hoje sei que mais importante que tudo é saber que a gente está fazendo a coisa certa. Então, graças a Deus, eu boto a minha cabecinha lá no travesseiro e durmo tranqüila". Norma Cristina, contudo, reconhece que a secretaria de Educação, assim como qualquer instituição, está sujeita a erros: "A gente tem aprendido. Quem disse que eu vim aqui e vou acertar tudo? Não prometi isso nunca a ninguém", ponderou.

Mãe de duas filhas e casada há 22 anos, Norma ainda conserva a indignação diante das injustiças sociais, e está disposta a contribuir para fortalecer a cidadania: "Eu faço questão de deixar a secretaria aberta à população, porque eu quero um diálogo franco com a comunidade. É isso que a gente quer: a população nos dizendo onde a gente está errando e aonde que a gente pode estar consertando esse erro e melhorando. Por mais que sejamos técnicos, às vezes essa realidade pode não estar chegando de acordo com o que morador precisa. Então, a gente precisa desse feedback para que a gente possa acertar", refletiu a secretária de Educação de Búzios.

. Estudo observa tendência de aumento no nível do mar: 40 centímetros por século

Levantamento divulgado pelo Ministério do Meio Ambiente revelou perspectivas preocupantes no que diz respeito ao aumento no nível do mar e da temperatura média do Brasil. Após apresentar os dados, a ministra Marina Silva disse que o governo planeja suas políticas considerando os diferentes cenários, utilizando as informações e as tecnologias atualmente disponíveis.
Maria Silva sugeriu a união de distintos setores do governo para atuar no problema do aquecimento global, a exemplo do que ocorreu em relação ao desmatamento da Amazônia.
- Advogo que se faça algo semelhante ao que fizemos em relação ao desmatamento da Amazônia. Nós fizemos um plano de prevenção e combate ao desmatamento da Amazônia e talvez tenhamos que fazer o mesmo em relação à questão das mudanças climáticas – disse a ministra.
Em relação ao nível do mar, o estudo observou uma tendência de aumento do nível do mar da ordem de 40 centímetros por século ou quatro milímetros por ano. As conseqüências desse aumento poderão atingir as cidades litorâneas e 25% da população brasileira, ou seja, 42 milhões de pessoas que vivem na zona costeira, sendo que a cidade do Rio de Janeiro é uma das mais vulneráveis.

. "Búzios não tem política ambiental"

Abranger a questão ambiental nas políticas de desenvolvimento do município é o discurso do secretário de Meio Ambiente de Búzios, Marcelo Haddad. Há cem dias no cargo, Marcelo considera que meio ambiente não faz parte da plataforma dos governantes brasileiros.

-      Nunca teve política de meio ambiente em Búzios. Aliás, não é que os meus colegas anteriores tenham errado, é política mesmo. Essa é uma política de âmbito nacional. Hoje o Brasil não tem política de meio ambiente – declarou Haddad.

Para o secretário de Meio Ambiente, o descaso com a questão ambiental pôde ser confirmado em recente declaração do presidente Lula afirmando que o crescimento econômico do país estaria sendo "travado" pelas restrições ambientais aos projetos de infra-estrutura.

-      O Lula está sempre reclamando das leis de meio ambiente. A natureza levou milhares de anos para se formar e eles querem que em quinze minutos o técnico libere uma licença ambiental. Então, os técnicos estão ficando voltados para a aprovação e não para a conservação. Mas agora viram que a natureza não perdoa, se vinga, e estão preocupados. Estou me voltando aqui em Búzios para a parte técnica do meio ambiente, porque senti que a secretaria estava muito sem embasamento. Apesar de ter leis, hoje não existe uma política de meio ambiente, e eu estou tentando implantar isso – garantiu Haddad.

O secretário Marcelo Haddad defende que a sociedade buziana não pode mais ser tolerante com a degradação ambiental em nome do crescimento econômico e garante ser possível harmonizar desenvolvimento com conservação.

-      Todo mundo aqui em Búzios tem consciência ambiental. Porque as pessoas que vieram de fora vieram fugindo da pressão das cidades pela falta de meio ambiente. Então, elas chegam aqui e são todas ambientalistas, desde que seja do portão para fora. Esse é o desafio: a gente tem que fazer uma força de meio ambiente, mas que essa força seja pulverizada – esclareceu o secretário.

. Grupo hoteleiro pode comprar APA da Azeda 

Circula na cidade a informação de que a Área de Proteção Ambiental da Azeda e Azedinha teria sido vendida para o grupo hoteleiro Oriente. O advogado Aluísio Salazar, representante dos proprietários, nega a informação, garantindo que ela é infundada:

- Eu já disse e vou repetir mais uma vez: se alguém quiser comprar aquela área é só trazer o cheque que eu assino a venda. Não precisa nem me consultar – declarou.

O secretário de Meio Ambiente Marcelo Haddad disse que ainda não foi procurado por nenhum representante do grupo Oriente: 

-         Acho que seria uma operação muito arriscada uma pessoa comprar uma APA sem me consultar, ainda mais que eu sou presidente do Conselho Gestor daquela área. Então, se o cara não veio aqui conversar comigo, não estou acreditando nessa venda. Agora, não sei se tem outra pessoa do governo conversando com algum interessado – refletiu Marcelo. 

Caso a notícia se confirme, não será a primeira vez que a área será oferecida para um grupo hoteleiro. Em 1991 a Azeda foi vendida para um grupo italiano, que após verificar as dificuldades que enfrentaria para construir na área, desistiu da operação.

Gabriel Gialluisi, presidente do Movimento Viva Búzios de Preservação Ambiental, não ficou surpreso com a notícia:

-         Uma empresa responsável não faz um investimento dessa ordem sem estar inteiramente informada pelo governo local da possibilidade de construir o projeto. Eu quero saber quem é o corretor de imóvel que está instalado dentro do governo? Ninguém está impedido de comprar uma APA para garantir a sua preservação. Mas ali hoje tem uma questão judicial aceita pelo juiz da comarca de Búzios, que concedeu liminar. A minha orientação é que a Oriente devia se orientar. Se oriente Oriente – apelou o ambientalista. 

. Secretária de Educação diz que ficou três anos com as mãos atadas 

A grande reclamação da comunidade de que o governo de Búzios não está empenhado em construir novas escolas será, segundo a previsão da secretária de Educação Norma Cristina, solucionada num curto espaço de tempo. 

-         Existe sim a intenção de construirmos novas escolas. O que aconteceu foi que tivemos que trabalhar em cima da reforma de muitas que encontramos em situação precária em janeiro de 2005. Mas o cidadão comum não tem esse entendimento: ele quer saber do filho dele na escola – revelou. 

A secretária de Educação, sabe que a solução não pode ser mais adiada e prevê ainda para 2007 a construção de dois novos estabelecimentos educativos na Rasa. O projeto já foi executado pelos arquitetos da secretaria de Planejamento e a licitação para a construção deve acontecer nas próximas semanas: 

- O prazo para ficar pronta será no meio no ano, quando os alunos voltarem das férias de julho. Fiquei três anos atada sem poder construir escola, mas nunca deixamos nenhum aluno de fora nesses anos, sempre demos um jeito de conseguir fazer isso sem alterar a rotina – declarou a secretária de Educação.

. Os sapos estão sumindo de Búzios

Nas últimas décadas pesquisadores constaram a diminuição ou o desaparecimento de algumas populações de sapos em vários locais do mundo. Para o biólogo Eduardo Pimenta, superintendente da Guarda Marítima e Ambiental de Cabo Frio, a situação é alarmante, uma vez que os sapos são elos importantes na grande teia alimentar de nosso ecossistema.

O desaparecimento dos sapos tem conseqüências graves no meio ambiente: são eles que controlam a população de insetos. Um único sapo devora até 10 mil insetos em 3 meses. De acordo com o biólogo, a diminuição significativa dos sapos em Búzios nos últimos anos, está relacionada às agressões ao meio ambiente: como o aterro de mangues e lagoas.

- O crescimento urbano, a especulação imobiliária e a ocupação desordenada em cima dessas áreas alagadiças, geram esse desequilíbrio – revelou Pimenta, que fez pós-graduação em impacto ambiental e conta com inúmeros trabalhos científicos sobre preservação do meio ambiente.

. Bimba vence Sul-Americano

Pela segunda vez consecutiva o brasileiro Ricardo Winick, o Bimba, conquistou em águas buzianas o título do Campeonato Sul-Americano da Classe RS:X. O primeiro sul-americano realizado em Búzios foi em 2002, só que em outra modalidade, a Mistral. Ainda que tenha terminado a competição em segundo lugar na classificação geral, Bimba abiscoitou a taça, já que o primeiro colocado foi o neozelandês Tom Ashley, e no Sul-Americano contam somente os resultados dos velejadores do continente.

O português João Rodrigues garantiu a terceira colocação, seguido do espanhol Ivan Pastor. O segundo melhor velejador sul-americano foi o argentino Marcos Galván.

Em julho, o morador de Búzios e proprietário da escolinha de windsurf vai disputar os Jogos Pan-Americanos, no Rio de Janeiro. Bimba foi classificado e integra a equipe brasileira que representará o país nos jogos que serão realizados no Rio.

. Câmara do Rio discute acordo para proteger as aves marinhas

As aves oceânicas que se alimentam de peixes viraram assunto semana passada na Câmara dos Deputados, onde está sendo analisado um projeto de decreto legislativo que prevê medidas para proteger 21 espécies de albatrozes – primos das gaivotas – e sete espécies de petréis, aves marinhas parecidas com os albatrozes.
O projeto sugere que 11 países, inclusive o Brasil,  se empenhem na defesa das espécies ameaçadas. Trata-se do Acordo para Conservação de Albatrozes e Petréis, que já está valendo desde 2004, mas precisa ser reafirmado pelo nosso Congresso Nacional. Alguns países, como a África do Sul, a Austrália, o Chile e a França já assinaram o documento. 
A proposta foi aprovada pela Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional e ainda precisa receber a concordância das comissões de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável; e de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara, antes de ser analisada pelo plenário. Aproximadamente 10 mil albatrozes e petréis perdem a vida em águas brasileiras todos os anos. Essas aves, ao mergulharem no mar para se alimentar, são fisgadas por anzóis e, arrastadas para o fundo, morrendo afogadas.


. Arquitetura buziana favorece a conservação do patrimônio ambiental


Toda a vida que (ainda) há sob a mata poderá ser degradada pela ação do homem nos próximos vinte anos. Enquanto a assustadora previsão matemática mostra que caso não seja feito nada para interromper a destruição, em três décadas poderão restar somente 20% de mata virgem no Brasil, os profissionais da construção em Armação dos Búzios revêem o mau uso da natureza e desvendam nas madeiras provenientes de florestas plantadas e renováveis, a melhor maneira de compartilhar os bens naturais que a mata oferece. A arquitetura do futuro ganha em Búzios novos adeptos. Cientes de que valorizar a diversidade é a solução para a destruição do meio ambiente, e que poupar madeiras raras e cotadas, substituindo-as por matéria-prima alternativa, favorece a conservação das matas, os arquitetos que atuam no balneário desvendam no eucalipto um meio de superar a maneira descuidada e abusiva com que os recursos naturais são explorados.

. APA da Azeda: prefeitura quer anular decisão da Justiça

A procuradoria de Búzios recorreu da decisão do juiz João Carlos Corrêa, que no dia 2 de janeiro concedeu liminar solicitando imediata paralisação de qualquer atividade que estivesse sendo executada na área e determinando que fossem suspensas todas as autorizações já conferidas para a construção de unidades condominiais residenciais, hoteleiras ou de qualquer outra natureza. O desembargador relator Celso Ferreira Filho tem agora dez dias para negar ou não o prosseguimento ao recurso. O procurador pede a suspensão da liminar até o julgamento do mérito.
A ação popular movida pelo ambientalista e presidente do Movimento Viva Búzios, Gabriel Gialluisi, diz que "vários apontamentos de técnicos federais (Ibama) e estaduais (Departamento de Recursos Minerais – DRM/RJ) sob forma de relatórios e pareceres técnicos, indicam a existência segura de bens ambientais e de interesse científico cuja preservação permanente necessita de eficaz proteção, e com a construção do condomínio na área sugerida pelos empreendedores, irá desnaturar o patrimônio ambiental".

. Biólogo diz que juiz está certíssimo em proibir condomínio na Azeda

Para o pesquisador do Instituto Jardim Botânico, Cyl Farney, o juiz João Carlos Corrêa atingiu alvo certeiro ao dar parecer procedente à ação popular que solicitava a imediata paralisação de qualquer atividade que estivesse sendo executada na Área de Proteção Ambiental da Azeda e Azedinha:
-      A decisão do juiz é certíssima. O município é surdo, ele não ouve a si próprio – diagnosticou o biólogo.
No Jardim Botânico há 25 anos, o pesquisador é pragmático em suas defesas. Cyl sempre demonstrou perplexidade com a degradação ambiental da região e em todo o tempo vem alertando que a flora de Búzios é patrimônio nacional.
-      Ainda vamos nos lembrar dos doces tempos em que Búzios era apenas um distrito de Cabo Frio. Os administradores não entendem que não há mais lugar para resorts e hotéis na faixa costeira. Querem acabar com o pouco que ainda resta, e ninguém vai a Búzios para ver telhados e edificações que concorram com o cenário estonteante da região – declarou Cyl.

. Secretário de Saúde quer implantar campanha educativa para diminuir número de acidentes nas ruas

Flagrar excesso de velocidade e presenciar acidentes e atropelamentos se transformou numa triste rotina na cidade, especialmente na Bento Ribeiro Dantas, no trecho duplicado sem qualquer engenharia de trânsito entre o Largo do Cecéu e o Pórtico.
Diante da gravidade do quadro, a secretaria de Saúde planeja realizar uma grande campanha educativa. A iniciativa tem como base criar uma interação entre os mais variados tipos de usuários das vias a partir de informação na mídia, distribuição de panfletos e palestras explicativas:
Estamos arquitetando os panfletos que serão distribuídos em parceria com a Polícia Militar. Eles estão na fase final de execução e quando estiverem prontos iremos fazer esse trabalho junto com os agentes de saúde, guardas municipais e também com a polícia militar. Não sei realmente o que acontece em Búzios, na outras cidades as pessoas usam capacete. Aqui é uma coisa cultural.

. Horta abastece alguns dos melhores restaurantes de Búzios

Quase todos os dias a chef Sônia Persiani, proprietária do restaurante Cigalon colhe diretamente as verduras que são servidas no seu restaurante. Sônia dispensa aquelas que são comercializadas nos mercados buzianos e percorre dez quilômetros até chegar ao terreno onde são cultivados hortaliças e legumes orgânicos. Soninha busca a qualidade ao comprar a acelga, couve chinesa, mostarda, rúcula, salsinha crespa, espinafre, alface, erva doce, hortelã, alecrim, manjericão, cebolinha, coentro, abóbora, brócolis e nirá, de um capixaba que há vinte anos abastece o mercado buziano. Conhecido como seu Carlinhos, João Carlos Rodrigues jamais utilizou agrotóxicos em sua horta:
- Planto sem veneno, não uso. Eu perco a verdura, mas não ponho agrotóxico - revela ele.
Carlinhos não tem dúvidas de que é no alimento que se encontra a saúde ou a doença, quando impregnado de produtos químicos. Quem tiver interessado em comprar verduras frescas e sem fungicidas, inseticidas e herbicidas, não é difícil encontrar a horta deste agricultor: basta seguir em direção à Rasa e logo depois de ultrapassar um muro cinza, após a entrada do aeroporto, parar num boteco localizado à esquerda de quem se encaminha do centro para a Rasa e perguntar onde fica a horta. De lá até o terreno do seu Carlinhos são pouco mais de duzentos metros.

.Cidade é invadida por caramujo africano

Um grande molusco terrestre oriundo da África, que destrói plantações e transmite doenças aos humanos vem alastrando-se por toda a Região dos Lagos. A espécie de molusco Achatina fulica pode atingir até dez centímetros de comprimento de concha e mais de 200 gramas. Ao contrário do caramujo nativo de Búzios, que tem coloração branca, a lesma do africano é cinza-escuro. O molusco Achatina fulica vive em média dois anos e chega a colocar dois mil ovos.
Para o superintendente de Vigilância Sanitária, Wilson Brasil, contudo, não há motivo para alarme:
-    Orientamos aos moradores que catem e queimem os caramujos. Essa receita caseira de colocar sal e cal é inócua, não vale nada. O método de combate diz claramente para catar com uma luva, colocar dentro de um latão, incinerar, quebrar as carapaças e enterrar – informou.
O superintendente alertou que não há necessidade de pânico, e que é necessário cuidado na divulgação para não saírem matando o caramujo errado. Brasil lembrou que não se deve pegar os caramujos sem proteger as mãos e que é preciso manter o quintal limpo.

. Búzios apresenta singular roteiro gastronômico

Dizem que Búzios é a porta de entrada de um mundo sem fronteiras, uma cidade onde a mistura de línguas não impede o entendimento. Melhor ainda quando se tem a chance de entrar pela porta da cozinha. E a cozinha de Búzios reflete, sem dúvida, esta diversidade. A gastronomia está entre as melhores do Brasil: francesa, tailandesa, italiana, japonesa e, é claro, buziana.
Da simplicidade ao requinte, os restaurantes de Búzios são um capítulo à parte. A cozinha nunca decepciona. A vida parece mais bela quando é possível consumir delícias como tábuas de frutos do mar com legumes grelhados, camarões na moranga e moquecas. Os cardápios em Búzios são variados, com um ponto em comum: os pratos são feitos com capricho.
Não são poucos os magos das panelas que abusam de sabores singulares que exprimem diferentes culturas. Não ao acaso o secretário de Turismo Armando Ehrenfreund optou por investir na gastronomia da cidade, promovendo festivais de arte culinária. "Além de possuirmos praias belíssimas, temos restaurantes de chefs renomados. Novos talentos não param de surgir, o que torna a nossa gastronomia um roteiro irresistível", sustentou o secretário.

. Explosão urbana em Búzios

Ontem e hoje: Previsão confirmada
A série de fotomontagem computadorizada com previsões de um iminente desastre sócio-ambiental, executada pelo ambientalista Tito Rosemberg quando era presidente do Movimento Viva Búzios, não atingiu o seu desígnio. Doze anos após o projeto ser apresentado ao público pela primeira vez em matéria publicada pelo Jornal do Brasil no dia 19 de março de 1995 - e logo depois no Globo no dia 15 de maio e no Buziano no dia 16 do mesmo mês -, o crescimento desordenado promovido pela construção civil continua na ordem do dia, provocando sérios danos ao corpo social pela súbita e esquizofrênica corrida imobiliária que se apropriou da cidade.
Cidadãos atentos começam a contabilizar todos os recursos naturais que foram ocupados, privatizados e devastados pela desatenção oficial. Nas praias e costões percebe-se a explosão urbana de Búzios nos últimos doze anos. Enfim, constata-se a perniciosa relação entre uma administração fraca e empresários gananciosos, que resultou em construções de gosto e legalidade duvidosa, e esgoto escorrendo pelas praias e ruas.